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Eu não quero ser heroína

10 de ago.
2 min de leitura

“Deixa que eu faço”. “Eu dou um jeito”. Quantas vezes afirmamos que podemos resolver algo sem estarmos nem mesmo conseguindo ficar sobre os próprios pés? Em que momento, “dar conta de tudo” se tornou sinônimo de força feminina?


Estou aqui pensando: quando foi que associamos o nosso valor à nossa utilidade? Aprendemos que cuidar é um papel feminino. Por outro lado, quem cuida de quem cuida? Sim, precisamos de cuidado. Passou da hora de abandonarmos a nossa capa de “mulher maravilha”. Não precisamos dela para existir. Muito pelo contrário. Precisamos olhar para a realidade, sem fantasiar, ou romantizar a nossa rotina. Elogiar a mulher multitarefa é o lugar confortável de quem apenas observa. Queremos mãos, corações e mentes que assumam um papel de responsabilidade colaborativa.


Sem querer, fomos ensinadas e caímos em uma grande armadilha. E assim o mundo se acostumou com a nossa sobrecarga. Enquanto nos esforçamos para “dar conta de tudo”, ensinamos às pessoas ao nosso redor que elas não precisam se esforçar. Nos invisibilizamos e adoecemos enroladas em nossa capa de heroína. Um suporte invisível, até que quebramos ou morremos em vida.


Há décadas ouço mulheres enlutadas. Não, não por morte de alguém, mas pela morte do próprio tempo e escolhas. Aos poucos, quase sem perceber, se despedem da saúde física, mental e emocional. E, quando a angústia aperta, se dão conta que estão vivendo os desejos e sonhos de outras pessoas. Nesse momento, sepultaram a própria identidade.


No entanto, não precisa ser assim. Viver não é desempenhar para, ou pelos outros. É reaprender que a definição de papéis não é algo determinado pelo gênero. Viver é diálogo contínuo. É construir parcerias para que a vida flua em ascensão para todos. Viver exige maturidade para compreender e sustentar limites, escolhas e mudanças.


Mas, Beth, e quando alguém, por algum motivo, depende de mim? Mesmo quando alguém depender de você, não retire a sua capa de heroína de dentro do baú. Não silencie a sua dor. Busque ajuda. Reconhecer os próprios limites, não é sinal de fraqueza. É o resgate do amor-próprio.


Você já se sentiu invisível?

 

Abraço fraterno,

Beth Morais

 
 
 

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